Método Americano – Balanchine


Todas as pessoas que desejavam fazer as aulas de Balanchine eram bem vindas, de todas as idades e corpos.


Balanchine é reconhecido como o coreógrafo que revolucionou o pensamento e a visão sobre a dança no mundo, sendo responsável pela fusão dos conceitos modernos com as idéias tradicionais do ballet clássico, o verdadeiro criador do bailado contemporâneo e um dos maiores influenciadores dos mestres da dança.


Nós devemos primeiramente compreender que a dança é uma arte independente, não um mero acompanhamento. Eu acredito que ela seja uma das grandes artes… A coisa importante no balé é o movimento por si mesmo. Um balé pode conter uma história, mas o espetáculo visual…é o elemento essencial. O coreógrafo e o bailarino devem lembrar-se que eles devem alcançar a platéia através dos olhos. Esta é a ilusão no qual convence a platéia, tal como é no trabalho de um mágico.


Depois dessa definição, vale observar alguns detalhes fortes de sua técnica:


  • O port-de-bras é a tradução da liberdade refletida em auto-suficiência e auto-estima. As mãos mostram os cinco dedos de maneira acentuada e devem ser livres na sua movimentação (uma marca registrada que me utilizo também)


  • os grands-pliés sobem de uma vez, sem paradas nítidas no demi-plié. ( Gosto desse estilo pois a execussão fica mais "dançada", mais artística e não me lembra uma ginástica)


  • Aqui temos um impasse: Em todos os movimentos em que o calcanhar tenha saído do chão, ao retornar, ele não deve encostar totalmente de novo, o que acentua a velocidade da execução dos movimentos e contrasta fortemente com a concepção de Vaganova, em que o demi-plié profundo é acentuado, buscando-se, ao colocar o calcanhar no chão, não apenas alongar o tendão de Aquiles, mas também favorecer a altura dos saltos. Ou seja: o bailarino de Balanchine dança numa velocidade muito superior ao russo; em compensação, o bailarino formado pelo método Vaganova tem saltos muito mais altos, o que, obviamente, exige um tempo maior de execução. (Ou seja, depende do objetivo do salto)


  • Os quatros arabesques denotam o deslocamento do ombro para sugerir a idéia de oposição, de cruzamento entre tronco e quadris (o eixo central do corpo é sempre a referência da direção da perna e do braço em arabesque, por isso as pernas nas direções devant e derrière são usadas com cruzamento acentuado). Nesse movimento, o quadril é mantido acentuadamente aberto.


  • Os movimentos devem ser executados pensando em cada um no momento em que estão acontecendo; não se deve sacrificar um movimento em função da dificuldade do movimento seguinte. (Concordo plenamente, temos que viver o presente, 1 passo de cada vez).


  • Os attitudes derrière, na posição effacé, não são tão alongados para que formem um ângulo oblíquo como os russos; tampouco são tão encurtados que formem um ângulo reto como os ingleses. O attitude devantdeve ser bem cruzado e por consequência só será en dehors dentro da medida do sensato e do possível.


Para o vídeo escolhi a esta entrevista com Mary Ellen Moylan e Maria Tallchief, em 1988, sobre Os Quatro Temperamentos (1946), de George Balanchine, para a Ballet Society, que mais tarde se tornaria o Balé da Cidade de Nova York em 1949.






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